Devaneios de um instante

RSS
May 2
Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia “, João Guimarães Rosa.

Digo: o real não está na saída nem na chegadaele se dispõe para a gente é no meio da travessia “, João Guimarães Rosa.

“Calculei cada passo para que o próximo existisse” Ismael Canepelle

“Calculei cada passo para que o próximo existisse” Ismael Canepelle

Instante Emoldurado

Instante Emoldurado

Uma tarde chuvosa, na Estação das Docas - Belém do Pará

Uma tarde chuvosa, na Estação das Docas - Belém do Pará

Devaneios de um instante

Em tantos momentos na vida que sorrimos e em nosso peito a angústia cresce, eu queria que as pessoas entendessem a tristeza em meu olhar e não dessem tanto crédito a falsidade do meu sorrir.

Momentos longe, me deixam perdida e confusa, sem saber ao certo se os dias e as horas passam…queria estar com você e nada mais que isso.

Quem consegue enxergar a dor da alma de outrem? cada um sabe a dor que carrega no peito, e os outros apenas fingem se importar.

Estou cansada da falácia, dos seres humanos, da vida, das instituições, da sociedade. Eu queria fugir e encontrar refúgio em teus braços.

Eu quero dormir pra sempre, como sempre diz um conhecido meu…

Jun 4

Lágrimas*

“Pelas minhas chagas abertas e o meu coração ferido

Sinto germinar por todos os meus poros, lágrimas

que dos meus olhos já não caem (…)”

Alex D’Castro

*título dado por mim (Ábia Costa)

A Bela dama sem piedade

        

John Keats
(1795—1821)

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas,
John KeatsSozinho, pálido e vagarosamente passando?
As sebes tem secado às margens do lago,
John KeatsE nenhum pássaro canta.

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas?
KeatsSua face mostra sofrimento e dor.
A toca do esquilo está farta,
KeatsE a colheita está feita.

Eu vejo uma flor em sua fronte,
John KeatsÚmida de angústia e de febril orvalho,
E em sua face uma rosa sem brilho e frescor
John KeatsRapidamente desvanescendo também.


Eu encontrei uma dama nos campos,
PoesiaTão linda… uma jovem fada,
Seu cabelo era longo e seus passos tão leves,
PoesiaE selvagens eram seus olhos.

Eu fiz uma guirlanda para sua cabeça,
PoesiaE braceletes também, e perfumes em volta;
Ela olhou para mim como se amasse,
PoesiaE suspirou docemente.

Eu a coloquei sobre meu cavalo e segui,
PoesiaE nada mais vi durante todo o dia,
Pelos caminhos ela me abraçou, e cantava
PoesiaUma canção de fadas.

Ela encontrou para mim raízes de doce alívio,
Poesiamel selvagem e orvalho da manhã,
E em uma estranha linguagem ela disse…
Poesia“Verdadeiramente eu te amo.”

Ela me levou para sua caverna de fada,
PoesiaE lá ela chorou e soluçou dolorosamente,
E lá eu fechei seus selvagens olhos
PoesiaCom quatro beijos.

Ela ela cantou docemente para que eu dormisse
PoesiaE lá eu sonhei…Ah! tão sofridamente!
O último dos sonhos que eu sempre sonhei
PoesiaNesta fria borda da colina.

Eu vi pálidos reis e também príncipes,
PoesiaPálidos guerreiros, de uma mortal palidez todos eles eram;
Eles gritaram…”A Bela Dama sem Piedade
PoesiaTem você escravizado!”

Eu vi seus lábios famintos e sombrios,
PoesiaAbertos em horríveis avisos,
E eu acordei e me encontrei aqui,
PoesiaNesta fria borda da colina.

E este é o motivo pelo qual permaneço aqui
PoesiaSozinho e vagarosamente passando,
Descuidadamente através das sebes às margens do lago,
PoesiaE nenhum pássaro canta.


Tradução: Izabella Drumond 

Jan 1

”(…) Não quero me trancar por dentro,

Não quero esquecer como é sentir saudades,

 Quero permanecer apaixonado pela minha tristeza”                                                                                                                       Evanescence

Se tudo…

                              

“Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e. se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer”

Catherine (Morro dos Ventos Uivantes. p. 74-75)

Hao de chorar por ela os Cinamomos…

Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — “Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria.. . “
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos…
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: — “Por que não vieram juntos?”

Alphonsus de Guimaraens